Menina Maniva

A que veio da mandioca, a parte venenosa, com muita clorofila, que precisa de sete dias para ser digerida. Isso porque não é qualquer um que encara a "pratada": Quente, calórica e pesada. Aparência nada amigável, sabor incomparável.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Holofotes da memória

Voltar ao passado é uma viagem sem volta. Como se cada lembrança fosse um pedaço de si e ficasse grudada à cena, praticamente um quebra cabeça do "Mapa Mundi". O presente retoma, em seguida, as rédeas da vida, com um olhar diferente. Quanto mais pequenas, curtas e tardias as lembranças, mais difícil encaixar a peça no lugar.
Constantemente me vejo a mesma criança de 10 anos atrás. E o espelho já mudou de endereço pelo menos 5 vezes. Mas o olhar não faz aniversário, não canta parabéns e nem apaga velhinhas. Sempre que se revira ao iluminado espelho, meio de canto, para não se assustar, nem cegar a visão, pisca para o passado e faz um pedido: "Só me chame para sorrisos".
E com tanta coisa escondida é preciso remexer, tirar o pó e os insetos que já construíram moradia por lá. O olhar é preguiçoso, gosta de dormir e fechar as cortinas em plena manhã de sol. Certa vez consegui enganá-lo. Coloquei grandes holofotes dentro do espelho, pintei um sol e poucas nuvens de batom vermelho. Mandei o passado sorrir de canto e pronto: Lá estava o olhar dentro das profundezas do espelho.
Não era dia, nem fazia sol de verdade, ele caiu na farsa. Olhou profundamente, o grito não conseguiu quebrar tantas amarras da memória, ninguém podia salvá-lo de si mesmo.
A viagem era longa, os holofotes de alta potência, a memória imensa.
"Oi menina, quanto tempo não te encontrava! Você mudou tanto!", falou com espanto.
E o eco revirou as paredes sujas de dores, acordou amores, jogou água fria nos sonhos adormecidos, fez canção com os versos perdidos.
Não, ninguém respondeu, não há diálogo entre som e luz. O reflexo volta com a forma que se imagina, com a imagem desenhada pelas lembranças traiçoeiras, nunca acredite nele. Ninguém me escreveu cartas como em "O Mundo de Sofia" e eu não quis fazer perguntas existencialistas. O olhar voltou com as respostas que precisava e com a idade que o dia merecia.
A sensação de rastrear as lembranças é estranha, todas as imagens surgem de uma vez, como um tornado que suga os campos verdes.
A minha plantação é vasta e solta ao vento, pode ser visitada por qualquer olhar e servir de presente para o tempo presente. Servir de holofote para cada nova idade.
Agora, já apaguei as farsas do espelho. Deixo os caminhos de luz abertos, assim como os olhos, sem medo das lembranças. A fantasia do "espelho, espelho meu" já perdeu a graça. Não quero nenhuma mágica que mostre o próximo passo sem que a pegada anterior esteja bem gravada no solo da memória.

A Menina Maniva não floresce em estufas. Não cabe em vasos. Não reflete o inanimado. Mas tem o olho do furacão.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A rota dos prazeres

Uma sensação de bem estar, um aperto no peito que você não sabe da onde vem. Como quem mastiga o primeiro pedaço de um chocolate alpino, seu cérebro libera aquelas substâncias que só o Drauzio Varela sabe o nome.
E entre gozos solitários, suspiros e calafrios na espinha, as curvas dos sonhos ficam mais longas. Como chegar até o fim? É preciso descobrir a rota certa e não é qualquer bússola que mostra o caminho. Até porque o norte nem sempre é tão quente assim e calor pode sufocar. O cruzeiro do sul está no céu e o prazer é terreno.
Para entender como funcionam seus próprios estímulos não adianta recorrer a astrologia, numerologia, cartomantes. E nem sessões no psicólogo revelam o que está mais no corpo do que na mente. Dominar seus instintos é mais difícil do que se imagina.
Os sinais podem vir de onde menos se espera. Dentro do elevador, um olhar arrebatador. No troco do supermercado, uma mão macia. No ônibus, um perfume doce feito o doce da batata doce. E então, rapidamente, tudo vai fazendo sentindo, ligações peptídicas se criam no cérebro, mas isso não importa nem para os neurologistas. Eu não estou falando de ciência aqui e sim de instinto natural.
Saber por onde vai a rota do prazer é abrir o baú do Silvo Santos. E não se culpar se lá dentro o maior tesouro tiver menos de 1,80 de altura, olhos verdes e braços roliços. Entender que a atração humana independe de estereótipos.
Para começar a traçar sua rota, faça uma árvore genealógica de suas conquistas. Sim, pode começar por aquele "quatro-olhos" da infância, que te deu um ursinho de pelúcia com o seu apelido e você se apaixonou.
Depois, encontre em cada um o que mais te atrai, partindo para a fase da puberdade, é claro.
E então, comece a perceber quanta semelhança pode existir entre eles, ou não. Quantos biotipos diferentes te fizeram enlouquecer, seja sentimentalmente ou sexualmente. Ah, é bom separar mesmo essas duas coisas, porque essa rota, repetindo, nem sempre acaba no castelo da Cinderela. Caminhos urbanos e cheios de dependências químicas são experimentados e a gente passa despercebido.
Eu entendi que me envolvo muito mais pelo cheiro do que pelo toque, por exemplo. Aprendi que minhas costas sustentam além de minha coluna todos os meus desejos. Mas não aprendi a controlar impulsos, domar a língua. Normal. A Menina-Maniva é feita de imprevistos.
Outra coisa importante é fazer o outro achar a sua rota e querer andar por ela. E quando isso acontece, milhares de caminhos se abrem... E então você perde todo o rumo que levou anos pra traçar.

A Menina-Maniva é encorpada. Os prazeres são intensos, as rotas chegam longe.

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quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O que não pode ser requentado...


Aqueça, adicione água para dissolver e deixe ferver por alguns minutos. Despeje no prato e deguste. Não há nada de novo na geladeira. Não há nada de sólido no estômago.
"Pronto, está com cheiro de novo, pode provar..." Será?
Comida requentada é assim: O sabor fica por conta da lembrança do paladar do dia anterior.
Se tratar-se de um caldo, sopa leguminosa ou carne assada de panela, é bom pôr a imaginação para funcionar. Ou, acrescente amor e um "Sarzon", é claro.
Agora, começo minhas tradicionais metáforas. Desculpem, mas sempre comi com os olhos a maioria dos pratos diários e as palavras mastigam as inconstâncias humanas, alimentando a constante de sentir fome. Em busca de prazeres que desconheço, que não sei se serão saciados por necessidades básicas ou por aquelas inventadas.
Uma paixão que nunca ferveu, por exemplo, não pode ser requentada. Não adianta insistir. Horas no fogo serão em vão. A panela não absolve o calor, o caldo evapora mas não engrossa.
E pensamentos também evaporam, sonhos vão ralo a baixo, temperos são desperdiçados. Fica o cheiro de lembrança no ar, mas não se deixe enganar... Assim como não se derrete o sorvete para tomar o suco, não se ferve o coração para dar sustância ao amor.
E ainda há quem acredite que os dias na gelareira apuram o sabor da comida... Sentimento congelado só apura dor.
Este ano, meu Círio foi diferente dos outros. Não comi "Pato no tucupi", não fui ao Ver-o-Peso, nem ao "Arrastão do Pavulagem". Comi minha Maniva em plena quarta-feira, rala, só para não deixar morrer a tradição que resta em mim. Para alimentar a alma de menina-verde, cansada de paixões requentadas, de gente pré-cozida. Existem pratos que só se comem quentes. Existem sonhos que só se sonham uma vez.
Não tenho microondas em casa, mas minhas metáforas estão mais vivas do que nunca. Reaquecem o prato diário também através dos olhos. Por eles observo e registro as cores dos ingredientes humanos. A dor misturada com o riso desesperado nos olhos do Pai. A dor exposta na pele da mãe. O quarto lotado de infância, adolescência e juventude, numa geração de irmãs.
É preciso comer de olhos bem abertos nessa vida doida. Mas é bom mastigar e fantasiar de olhos fechados.
E com tanta variedade na mesa, a gente até esquece a sobremesa...
A paixão que tentava ser comida novamente, já perdeu espaço no estômago.

A Menina-Maniva tem os quatro sentidos aguçados. Se o paladar falhar, o olfato desvenda. E de olhos fechados comanda o canto das palavras.

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quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A concha


Minha mãe me falou que a coisa mais legal do casamento é dormir junto, dividir a cama. Cada um no seu espaço, com a autonomia de unir os corpos a hora que quiser. E depois de um tempo vem o costume do corpo ao lado, a necessidade de tocar alguém que você sabe que está num sono profundo, longe, e ao mesmo tempo muito próximo. Um conforto para alma, segundo minha querida Mother.
Com um namoro longo na bagagem e algumas noites mal dormidas, descobri a forma de dormir quase sentindo o corpo todo do outro: A concha. Aquela que abre e fecha perfeitamente, encaixa, e guarda as melhores pérolas no escuro da noite.
Dormir fora era utopia na adolescência. Hoje, basta avisar. Basta encontrar uma concha disponível. Mas nem todo bom amante sabe dormir junto. Dividir o sono é quase uma arte que requer prática e tato, muito tato. É bom evitar movimentos bruscos, respirações profundas, gases dispersados sem querer. Puxar o lençol, passar as pernas por cima do outro ou roncar, nem pensar.
Na concha qualquer sussurro é amplificado. Ele está ali, ao pé do ouvido, te contando com a respiração todo o cansaço do dia. E você se sente a mais preciosa jóia, em estado bruto. Nua e protegida.
Passam as horas, a madrugada toma conta, a concha se movimenta. É bom saber amansar o mar dos lençóis junto com ela, deixar-se levar ou não sonhar jamais. Para dormir a dois, engana-se quem pensa que o mais importante é não incomodar o outro. O que vale é estar com os sentidos aguçados, com o corpo pleno.
E depois que sono profundo chega, dependendo da troca de energias e sensações, podem vir sonhos bandidos, sexuais ou uma revirada na cama com direito a suor na testa. Ah, o corpo gruda no outro, depois de um tempo. Será que é pra desgrudar e correr o risco de acordar? Só se for para procurar mais sono no corpo do outro, cansar, e depois sonhar acordado. Essa equação ultrapassa a simplicidade do “dois mais dois”.
Bom, para casar é preciso encontrar a concha perfeita, minha Mãe está certa. Não que eu esteja pensando em casamento, que fique claro. Acho que isso é saudade de ter uma concha. Existem muitas no mar, porém, poucas dispostas a se abrir e encaixar.

A Menina Maniva é espaçosa, não sabe ainda dormir a dois. E nem é muito chegada a mariscos, a não ser que a concha guarde uma pérola verde-maniçoba.

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domingo, 24 de agosto de 2008

Carta papel toalha

Cara Menina Maniva,

O que está acontecendo com você? Os dias de sol não te inspiram mais? A panela está à "banho maria"? Ouça verde menina, teu tempo de ferver é agora. Ou esperas que tua face pouco simpática, vá como mero acompanhamento no prato de todo dia? Não seja boba.
A melancolia não faz parte da receita. A gordura, a planta e o suor do cozinheiro são tua essência. Cria diante do destino várias linhas tortas, curvas, falhas, porque a a vida não desce goela abaixo de forma certeira. Eu tenho orgulho de ti, Maniva. Invejo tua força, tua ânsia de temperar os dias, teu sabor original, tua panela sempre aberta.
Quem me dera ter um terço do teu veneno, mesmo que inofensivo. Ah menina, não sabes o que é ferver sem saber o que de fato está a cozinhar, e não ter para quem oferecer os talheres e o lugar a mesa. Eu te convoco novamente a olhar como espelho o prato vazio. Ainda queres fazer a dieta de não ser? Tenho pena de quem não sabe se comer.
Tu és um exemplo, Menina Maniva. Estás no topo da tua cadeia alimentar e não presa no chão. Sabes a medida da tua colher, sabes mexer a cintura como quem mexe a panela. Acredite, aqueles que precisam de você estão a esmo, famintos, vermelhos de tanta espera. Como eu, respeitam o tempo de planta, o ecossistema, mas quando se está com fome, o estômago fala por si.
Volte a espantar as aves dos galhos, a desarrumar os sacos de lixo, a riscar as unhas no quadro negro. Aprendi com você que a felicidade está em brincar de desequilibrar. Não acreditamos no equilíbrio do Universo.
Então, meu pedido, menina, está indo de fora para dentro, vai se encontrar com aquilo que você já preencheu por lá. Espero que minha carta te sirva de papel toalha após a refeição. Que ela te limpe e te motive a voltar à auto-digestão.

Abraço forte,

Márcia Gabrielle Dantas

terça-feira, 1 de julho de 2008

A estética do calor


A coroa do verão já cerca nossos amigos, nossa rotina, nossa sombrinha. Hora de aposentar os guarda-chuvas, escondê-los atrás do armário, afinal, ninguém tem o costume de usá-los para proteger-se do astro maior desse tempo: O sol.
Os ombros a mostra, a costa nua, as saias curtas e chinelos de dedo. A gaveta dos biquínis já foi remexida, já percebe-se que falta comprar um da cor da moda. Ah, nossos modos também se tornam mutantes no calor de Julho. O ar condicionado, a conta de luz, o refrigerante. Água? Sim, muito banho, conta de água mais cara, suor excessivo.
Praças lotadas a qualquer hora, côcos super refrigerados nas barraquinhas de rua. Todos querem refrescar o equívoco dos dias de trabalho, das tensões diárias, dos casos de amor perdidos. Um amor de verão, quem sabe virá, chega de chuvas e trovoadas.
Levanto da cama suada, o verão está sem jeito dentro de mim, mas o calor sempre existiu por aqui. "A estética do Frio", criada pelo músico Vitor Ramil, em seu livro, aponta onde os gaúchos escondem seus modos separatistas, e como a cultura daquela terra fria é encarada de forma diferente dos demais pedaços do Brasil.
A minha estética do calor, aqui em Belém do Pará, não vai virar livro nem canção. Meu calor não chega a motivar contemplações, a não ser, levantar os braços para o minúsculo suspiro de vento que bate de repente.
De baixo do sol, na cidade das mangueiras, é bom encontrar ao meio dia, uma pequena morada mais fria na rua. Ou escolha entrar no clima de alguma loja fria para depois sentir o impacto do bafo do verão ao sair. Abafe os argumentos contra o que faz parte da gente, do que a pele sente, do que as bordas de janelas guardam com tanto esmero. Depois de tantas chuvas, tomaremos banho de mangueira no quintal.
Abrir o peito para essa estética do calor é também reparar se o cabelo está brilhando o suficiente no sol daquele dia, ou se o salto do sapato não está esfolado, se as unhas estão bem feitas, qualquer descuido será notado aos olhos criteriosos do verão.
É também lembrar naquele texto piegas do Pedro Bial, que você ouviu tantas vezes e nunca mais esqueceu o "filtro solar". É proteger não só a pele, mas também a alma, pois agora estamos expostos nas ruas do mundo. Quando chovia ficamos em casa aos domingos. Agora é hora de colocar o bloco na rua calorosamente. A estética de quem "sua" sempre inspira alguma admiração, suor é esforço. O que ecoa é o pingo d'água, soando dentro da gente.
"Soar e suar": palavras com diferenças gramaticais e semelhanças emocionais.
No calor, saio do banheiro já querendo voltar. Queria entender o poder do clima sobre as pessoas. Se tem corpos a mostra, tem energia sendo dispersada, gente se atraindo, gerando mais calor ainda. Tem beijo, sexo e briga ardente. Os amantes fazem rios. Esse calor afasta a melancolia dos tempos chuvosos. Os poetas que gostam da calmaria, não compõe no verão, são contagiados pelo calor e não param para olhar a vida, se fazem presentes nela.
Os sujos vão aos chafarizes, as crianças tomam sorvetes, as janelas das casas estão sempre abertas. Deixa o vento passar, deixa o calor entrar, deixa o verão fazer mais um dia dentro da sala. Isso parece Ramil.
Aqueles que são esteticamente frios, não conseguem congelar as energias. O sol está para todos.
E para finalizar, retoco a maquiagem à prova d'água e não choro mais o inverno passado. O próximo verão será mais quente, acreditam os meteorologistas... E é para ele que me guardo, ou melhor, espero em exposição solar.

A Menina-Maniva não faz bronzeamento artificial. Está em época de fotossíntese.

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quinta-feira, 5 de junho de 2008

Boa noite e Boa sorte


O grandioso filme de George Clooney " Boa noite e Boa sorte", foi feito para jornalistas herméticos, vanguardistas e corajosos. Se é que sei realmente o que essas palavras significam. O filme retrata a década de cinquenta, mas a temática é muito atual. Sobreviver dentro do ciclo de interesses midiáticos é um eterno desafio para jornalistas ambiciosos.
Mas esse blog não tem a menor pretensão de fazer criticas de arte, analisar filmes, discos e telenovelas. A Menina Maniva transpira emoções e o vapor não fica na tampa da panela.
Ah, como eu queria que o Sr. Edward Murrow (David Strathairn) tivesse feito aquele discurso no dia da imprensa (01/06), em alguma dessas tantas "homenagens" feitas nas empresas Belém a fora. Coquetéis cheios de tapinhas nas costas e sorrisos amarelos, sem falar das placas "destaque 2008" para os que colaboraram não com o crescimento do jornalismo, mas com a benevolência com as empresas, os interesses, o mercado.
Esse ano não fui em nenhum coquetel. Mas faço parte dessa massa, que passa nos projetos do futuro. E tento demonstrar minha coragem, a margem do que possa aparecer, vendo que toda essa engrenagem, já sente a ferrugem de comer. E como comem.

O nosso rebanho só aumenta, nessa vida de Gado. Cito Zé Ramalho só para descontrair.
Gado dorme pouco e tem má sorte. Jornalista dorme pouco também, agora a sorte, sempre acha que tem. E eu não quero cutucar esses animais com vara curta.

Só quero continuar tendo certeza de que a imagem do prato não é melhor que o conteúdo.
E que não importa a marca na pele, nada será desfeito.

A caixa preta e luminosa, do Sr. Murrow, das nossas casas, não guarda coelhos de mentirinha. Guarda esses novos gados prontos para serem abatidos e degustados na mesa, a nossa mesa. Os senhores sabem a carne que oferecem e sabem oferecê-la de forma prazerosa.

A Televisão é a magia da conspiração entre a ilusão do espectador e a superafirmação do veículo.
E para ela, para nós, um recado de Mr. Murrow:
"We will not walk in fear, one of another, we will not be driven by fear into an age of unreason".
"Não devemos caminhar no medo um do outro, não podemos ser conduzidos pelo medo em uma era sem razão".

Boa noite, Boa Sorte, Boas novas.

A Menina Maniva ferve dentro dessa panela, mas não quer passar do ponto, jamais.
**Trailer "Boa noite e Boa sorte":

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